tudo o que tenho visto, não sei o que fazer pra tirar de mim. as calçadas e mulheres que ficam permanentes em um lugar e o carrinho de supermecado na frente de uma loja que atravesso a rua quando vejo porque ele esta cheio de garrafas velhas e vazias, todas de bebida de alcool, me lembra meu alcool, o ruim que fica perto e eu vomito e tiro de mim e trago de volta o que eu queria ter separado um tempo ja. ai volta a lembrança e volta meu livro que nao sai da minha cabeça, e volta com tudo isso o amor que me falta, que me faz estar só, que me faz bem estar com os cães, a matilha deles é mais organizada por cheiros e o meu, quando nao tomo banho nao posso sentir, entao preciso de tres dias pra me misturar nesse grupo de pelos e de orelhas desmedidas.
caminho pelo sol, pra praticar a visao que me dizem faltar, mas quem diz é um medico que nao estudou o que eu estudei da vida dos olhos dentro de mim que sao mais pra dentro do que pra fora, sao pra baixo dos meus braços e ficam nas pontas dos dedos. aperto os botoes e aparece na tela o que eu nao consigo falar em palavra e daqui uns dias terei que forçar pra que esse coração de olho suba braço acima e caia no lugar certo da boca e adentre minha garganta. fala tudo, a professora agradece, sou aceita nos olhares de fora, que tambem tem olhos nos dedos e os dedos juntos das maos, podem aplaudir. tomara.
quarta-feira, agosto 18, 2010
quarta-feira, abril 07, 2010
Dois e duas
Estavam os dois sentados, entre duas pessoas que observavam a discussão sozinha da mulher em direção ao homem. Ele, com sua pequena filha no colo, mordia com força os dentes uns contra os outros, acompanhado de um movimento lateral do maxilar. Era sua maneira de representar tensão, não queria ouvir daquele jeito o que ela tinha para falar. Estava agora casado com outra mulher, pro bem ou pro mal havia feito um filho nessa também e não tinha mais o que conversar. Anos haviam se passado e eram apenas pais de uma mesma criatura. Ela insistia com suas palavras e ao vê-lo partir comentou com as duas que ali contracenavam que era bom que elas soubessem que tudo aquilo o que tinha dito não passava de uma grande mentira.
terça-feira, março 16, 2010
Sobre a Amizade, para a Denise
Ah, sim. E me disseram que os amigos estariam lá, que me veriam suspirar e desritmar, mas que no entanto me comprariam os lenços de ouro que em tantos filmes me vi chorar. Que saberiam que tropeços existem, que a gente nem sempre consegue fazer o que os mestres ensinam: se quer ver a pipa rodar, solta a linha no ar. Quem está pronto pra te ajudar?
sexta-feira, novembro 27, 2009
Dois quarteirões
De manhã gosto de café na padaria dois quarteirões acima de casa. O cigarro me mostra cedo e díário que deveria parar de fumar. A subida é leve, o pulmão pesa e a consciência eu nem sei mais o que é isso. Deixei para trás os dias em que eu tinha interesse por mim mesmo. Agora caminho.
Quando adentro o recinto, ela está acomodada em seu banco fixo, onde o sol bate com feixe diagonal no balcão dos bêbados. Minha rotina é sentar-me na mesa de trás de onde vejo os cabelos de banho recente pesados nas costas e o ajeitar do shorts azul no meio das coxas, que eu sei que se chegar perto vão ter pontos de pêlos por fazer. Eu quero teus pêlos nos meus pêlos. Eu quero a brevidade de abrir o sutiã, de eu não te existir e te querer por somente o tempo dos dois quarteirões que me levam até você.
Quando adentro o recinto, ela está acomodada em seu banco fixo, onde o sol bate com feixe diagonal no balcão dos bêbados. Minha rotina é sentar-me na mesa de trás de onde vejo os cabelos de banho recente pesados nas costas e o ajeitar do shorts azul no meio das coxas, que eu sei que se chegar perto vão ter pontos de pêlos por fazer. Eu quero teus pêlos nos meus pêlos. Eu quero a brevidade de abrir o sutiã, de eu não te existir e te querer por somente o tempo dos dois quarteirões que me levam até você.
sexta-feira, novembro 06, 2009
Me esforçava, mas abri os olhos por não dormir, mirei o relógio que brilhava vermelho e me senti fracassada. Eu queria me rasgar de amor e o sono me observava de longe e eu não tinha ninguém para amar. Eu me amava sozinha em dias de ensaio pra um espetáculo que não ia existir. Queria sentir o seco que fica na garganta quando acaba a água da conversa e os dois se olham, vira cena de filme demodé.
Eu sou antiga apesar de nova, sou atrasada pro contemporâneos casais que se apaixonam por precauções realistas. Eles dividem os mesmos gostos, ganham o mesmo salário, tratam-se como funcionários e agendam local e hora para o amor.
Eu sou antiga apesar de nova, sou atrasada pro contemporâneos casais que se apaixonam por precauções realistas. Eles dividem os mesmos gostos, ganham o mesmo salário, tratam-se como funcionários e agendam local e hora para o amor.
segunda-feira, setembro 07, 2009
para Alessandra
Prometi que eu me tentaria interessante nessa nova vez, que guardaria alguns silêncios de fotografia para estar aqui, fingiria bem que é possível sentir voz minha nessa escrita toda, divagaria vocábulos perdidos de acento dentro da emergente gramática brasileira doida, me completaria então de burra pátria amada pro sete de setembro, me convenceria de que meus sonhos podem esperar mais um pouco para acontecerem, que não daria tantos ouvidos à fome e ao fato de que o dinheiro não aparece em blog.
Prometido é pra cumprir, né não?
Prometido é pra cumprir, né não?
sábado, julho 11, 2009
que
eu haveria de ser a que saiu da sua vida, que faria tudo para que voce me esquecesse, que me sumisse no banho o rastro de voce na minha e eu na sua. que me sumisse por inteiro e que me faria nova de novo, me lavasse e colocasse bem longe das suas coisas, que não mais minhas seriam e eu faria das minhas todas distantes de voce. que nao me compreendesse, que me fizesse doida de voce longe de mim, que pedisse nem um pouco mais e se arrependeria em seguida.
quinta-feira, maio 07, 2009
Eu não sou o alguém que você almejou
Eu tenho que me tornar o alguém que tanto você almejou
Eu tenho que me ser aquele que não sou mas pra você eu sou
Porque você me diz que fique bem claro
Que é da minha arte que se encantou
E ainda devo chegar no alguém que você muito queria,
mas é uma pena
Eu ainda não sou
Eu tenho que me ser aquele que não sou mas pra você eu sou
Porque você me diz que fique bem claro
Que é da minha arte que se encantou
E ainda devo chegar no alguém que você muito queria,
mas é uma pena
Eu ainda não sou
sábado, janeiro 10, 2009
quarta-feira, janeiro 07, 2009
Hoy yo soy vos
Transportar-se sozinho para o estrangeiro é fazer-se cao sem dono, é assumir as noites quentes em lencois malemálavados, comer em bar de moscas, nao ter parceria para rir, abandonar todo conforto caseiro e andar até os pés doerem somente para tentar entender nem se sabe o quê. É como se achar e se fugir, é pensar no que deixou para trás e procurar nao se enganar que é só porque o ano virou que as coisas serao diferentes de uma vez por todas. É tomar umas a mais e ninguem te saber. É gastar um dinheiro absurdo em coisas inúteis e depois perceber a pisada, é olhar pro lado e pensar que está todo mundo te reparando sozinho caminhando, mas na verdade ninguém tá, seu neurótico. É se hospedar no pior buraco da cidade porque é o mais barato e fingir que é porque vai fazer amigos, mas quando alguém logo te abre a boca reza fundo para parar já. É ouvir ronco de gente estranha num quarto que nao é de ninguém e querer socar. É tomar banho de chinelos para nao pegar micose alheia, é dividir o banheiro. Pior, é aceitar dividir o banheiro. E mais pra frente, é já ter feito isso incontáveis vezes, fazer de novo e jurar que nunca mais. Aí chega a próxima oportunidade e tu vai e compra o ticket.
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